A ousadia de ser você mesmo

Estamos acostumados a acompanhar as mudanças do nosso cotidiano com uma certa dose de flexibilidade e adaptação, muitas vezes, vinculados aos nossos interesses, regras de conduta, padrões oriundos das nossas bases familiares, comunicação das diversas mídias, do nosso repertório de vida pessoal ou profissional e todas as outras formas de convívio humano.

Em meio a essa adaptação, vamos aos poucos perdendo uma certa e importante dose de autenticidade, que nos permite estar próximo do nosso estado mais genuíno, que prefiro chamar nesse texto de: a ousadia de ser você mesmo.

A autenticidade é uma ousadia e por vezes incompreendida, confundida ou até dissimulada para encontrar espaço em meio a uma simultaneidade de papéis sociais, vivenciados e esperados.

Ser ousado muitas vezes nos custa altos pagamentos, que vão desde mudanças diametrais do nosso estado atual, até mesmo no estabelecimento de uma nova configuração do nosso cotidiano, como alterar nossos círculos sociais, nossas escolhas profissionais, nossa capacidade de realização entre outras coisas que nos remetem o sentido de tornar diferente nossa forma de viver no mundo, seja individualmente ou em sociedade.

O comportamento esperado, seja no âmbito social comum ou no nosso estado mais familiar, muitas vezes nos limita a agir e atuar de forma satisfatória para o outro, deixando de lado nossos próprios interesses. Essa “necessidade” de aceitação do outro como um juiz, colocada em grandes aspas, pode nos desconectar de um universo de possibilidades e recursos existentes para a nossa felicidade.

Definir posições, ideais ou ressignificar continuamente pensamentos, escolhas ou valores, nos leva a liberdade de ser exatamente o que somos, com nossa visão de mundo. Esse olhar ampliado para o autoconhecimento, nos favorece a conviver com nossa própria complexidade de sensações, compreender nossas faltas e valorizar nossa própria capacidade.

Não nascemos com dívida e nem precisamos encarar o sentido de uma dívida crônica, que nos modele a um padrão de comportamento pautado no paradoxo de crime ou castigo. Somos capazes de sermos nós mesmos, sem a culpa que nos levará ao castigo.

Ser autêntico é fundamental para o nosso bem-estar. Porém há de considerar um adjetivo importante no meio dessa escolha, a empatia – essa capacidade de se colocar no lugar do outro. Ela pode auxiliar sutilmente para diferenciar a liberdade de expressão, da falta de respeito, muito confundida em dias atuais, onde as pessoas invadem o significado da vida do outro.

Ser autêntico é ser você e não apontar o outro com intolerância. Parece simples, mas não é na prática. E é por isso que considero a autenticidade uma ousadia das mais importantes para nosso entendimento cotidiano e desenvolvimento humano.

A ousadia de ser você mesmo.

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Ricardo Leme

Ricardo Leme

Professional Coach, formado pela Sociedade Latino Americana de Coaching, relações públicas, especializado em comunicação organizacional, marketing, sustentabilidade e gestão de negócios de alto impacto social pela Fundação Dom Cabral, a melhor escola de negócios da América Latina. É fundador da Projeta.Me consultoria com foco em desenvolvimento de projetos de impacto social.

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