É preciso repensar o papel do jovem no mercado de trabalho

A compreensão do universo dos jovens e sua conexão com a primeira oportunidade no âmbito profissional, deveria ser tema de grande relevância nas empresas brasileiras. Definitivamente é preciso repensar a forma como acolhemos os jovens no mercado de trabalho, em especial os jovens em situação de vulnerabilidade social, e a partir daí, coletivamente propor experiências e diálogos capazes de transformar essas relações, numa ampla relação de aprendizado intergeracional.

No Brasil a lei de aprendizagem, que determina que empresas tenham em seu quadro de funcionários jovens entre 14 e 24 anos, é uma das ações afirmativas idealizadas e em andamento para que jovens sejam inseridos no mundo do trabalho.

A discussão sobre a empregabilidade de jovens por meio de ações como essa vem sendo debatida ainda que timidamente por empresas brasileiras preocupadas com a questão social e de educação para o trabalho que venha contribuir para a inserção de jovens em vulnerabilidade no mercado, e consequentemente, o aproveitamento adequado de suas competências e habilidades transformando os ambientes profissionais em um posto de aprendizado e troca de conhecimentos, muito mais que um simples posto de trabalho operacional.

Durante recente conferência Ethos 360 realizada no mês de setembro de 2017 pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, uma das mais importantes instituições de representatividade sobre o tema da sustentabilidade empresarial no país, colocou-se em pauta em uma das mesas o tema: Educação e aprendizagem, o que as empresas tem a ver com isso? ”, numa ampla discussão composta de executivos, acadêmicos e representantes de órgãos como o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF.

Para o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, há um diálogo entre surdos, uma vez que não há devida conexão entre educação e trabalho, seja no âmbito das escolas ou até mesmo das universidades, assim como nos meios empresariais.  Para o executivo, as vagas sugeridas pela Lei da Aprendizagem, por exemplo, não se tratam simplesmente de uma relação de posto de trabalho e sim uma relação de posto de aprendizagem, de oportunidade de aprendizagem.

Receber um crachá empresarial para muitos jovens, é muito mais que um trabalho, trata-se de uma relação de pertencimento.

É sabido que muitas empresas tratam a lei da aprendizagem apenas como cumpridoras das cotas exigidas, não trabalhando as expectativas, competências e habilidades desses jovens. É isso que precisamos repensar se quisermos maximizar as oportunidades dessa lei como caminho aberto para a evolução de ambos, e porque não, para a formação de novos talentos e progresso de resultados.

A Projeta.Me vem desde 2012 discutindo esse tema, seja no âmbito acadêmico (teve projeto acelerado na Fundação Dom Cabral), ou seja, no meio empresarial com a realização do projeto Sonhos Possíveis cujo foco está na educação voltada para o empoderamento e construção de autonomia para jovens em vulnerabilidade social e sua mediação no mercado de trabalho.

Das nossas experiências é comum perceber que a competência específica ou técnica, em muitos casos tem menor relevância frente às habilidades socioemocionais do jovem e é nessa direção que desenvolvemos o projeto Sonhos Possíveis, atuando como um ambiente de conexão, diálogo entre empresas e jovens, favorecendo para a ampliação de repertório que permite o acolhimento e valorização profissional e pessoal desses jovens.

Se considerarmos as necessidades de um futuro pautado no desenvolvimento sustentável, com possibilidade de dialogar sobre questões como capacidade produtiva, aprendizado e diminuição de desigualdades em uma escala de importância equilibrada, certamente grandes ganhos e inovações estarão por vir, pois a diversidade é capaz de promover formas mais ampliadas de pensar e repensar os negócios e os seus recursos necessários, entre eles os recursos humanos.

Para nós da Projeta.Me é de vital importância participar e se envolver nessa discussão primorosa e empática que não massifica as relações e as trata de forma dialogada, participativa e contextualizada.

É inevitável compreender as novas formas de relação e construção coletiva, que se apropria do entendimento de realidades, e explora as vivências e ampliação de repertórios muito mais que qualquer exposição de conteúdos formatados convencionalmente. A experiência valorizada fortalece a autonomia e os ganhos se tornam positivo para todos os lados.

Projeta.Me – Desenvolvendo Projetos de Impacto Social.

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Ricardo Leme

Ricardo Leme

Professional Coach, formado pela Sociedade Latino Americana de Coaching, relações públicas, especializado em comunicação organizacional, marketing, sustentabilidade e gestão de negócios de alto impacto social pela Fundação Dom Cabral, a melhor escola de negócios da América Latina. É fundador da Projeta.Me consultoria com foco em desenvolvimento de projetos de impacto social.

One thought on “É preciso repensar o papel do jovem no mercado de trabalho

  • Ana Karla

    Essa discussão vai longe, mas não podemos deixar de acreditar e lutar que a realidade dessa relação empresa e jovem mude trazendo mais frutos reais para a sociedade de modo geral todos os lados acabam ganhando com um processo de educação e aprendizagem mais solidificador.

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